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Protocolo de atuação em casos de cyberbullying: criação de conteúdo (imagens, vídeos, textos) com caracterização ofensiva de alunos[1].

 

     Os casos de cyberbullying são praticados por sujeitos que não possuem sensibilidade moral: sabem que suas agressões, intencionalmente, intimidarão e menosprezarão o outro. Mas não conseguem constatar que em suas ações, falta um elemento moral – o respeito – que deveria ser para ele e para o outro. No mundo virtual, essas pessoas se sentem ainda mais encorajadas a praticar atos violentos contra colegas por não estarem frente a frente com seus alvos, por acreditarem na possibilidade do anonimato e na ausência de autoridades que possam eventualmente puni-los.

 

O que a escola deve fazer?

 

PASSO 1: Derrubar o conteúdo.

Compreendemos que se trata de uma situação delicada, que se propaga rapidamente, exigindo medidas imediatas para retirar o conteúdo das redes. As plataformas de redes sociais como o Google, Facebook e Instagram possuem mecanismos de segurança que podem ser acionados para a derrubada de conteúdos impróprios.

No entanto, os conteúdos compartilhados por WhatsApp são propagados com mais rapidez e difíceis de serem mapeados, por isso, a importância de pedir que todos apaguem o conteúdo dessa plataforma e peça para quem encaminhou a postagem fazer o mesmo.

Infelizmente, sabemos da dificuldade que é fazer com que a publicação seja permanentemente excluída.

A escola também pode pedir ajuda ao UNICEF que organiza campanhas antibullying junto ao safernet.

 

UNICEF: cleon@unicef.org

Instagram: instagram_br@mslgroup.com

Facebook:facebook@idealhks.com

 

 

Há um aplicativo muito usado pelos jovens hoje.

O aplicativo usado é o Lomotif: você seleciona determinadas fotos com alguma música da sua escolha.

O vídeo tem uma determinada duração, geralmente são segundos.

Ultimamente está como "modinha" fazer esses vídeos curtos para variáveis coisas.

Na hora de compartilhar você escolhe onde quer postar, por conta que você fica com o arquivo salvo no celular.

Então, é preciso saber de onde partiu o vídeo. Provavelmente, o vídeo deve ter sido postado em um perfil fake. Geralmente, eles não publicam na própria página para evitar represálias. Mas se chegou aos alunos pelo Facebook ou Instagram eles devem saber qual foi o perfil que publicou.

A primeira das ações da escola é investigar junto aos alunos, de onde veio o vídeo compartilhado. Mas isso não é fazê-lo publicamente com todos juntos e sim, chamar pequenos grupos de alunos que possam dar pistas de onde partiu esse problema. Investigar também com professores se sabem de algo. É preciso cuidar para que os alunos não se sintam “contra a parede” e nessa fase, apenas possam ajudar a procurar de onde partiram os vídeos para que se possa reverter essa situação.

Com os espectadores- aqueles que receberam o vídeo ou compartilharam ou que ficaram sabendo do problema, é importante pedir para se colocarem no lugar de quem está sendo exposto e tomarem consciência da necessidade de apagarem o conteúdo e incentivarem os outros alunos a apagarem também.

Deveremos mais à frente ter outras condutas com os espectadores.

Contudo, feita a coleta de informações com espectadores ou professores, funcionários, é preciso conversar com as vítimas que estão na escola. Como o caso em questão é um vídeo postado sobre vários colegas, os que foram zombados podem ser chamados para uma “roda de diálogo” caso a escola (professores e gestores) reconheçam quais são os alunos.

 

PASSO 2: Acolher, fortalecer e acompanhar as vítimas.

Acreditamos que as vítimas estejam se sentindo expostas, constrangidas, humilhadas e muito tristes. Por essa razão, é indispensável uma conversa com elas para ouvi-las sem julgamentos, com a intenção de reconhecer suas dores e a partir disso pensar em conjunto medidas que possam ser tomadas para tornar esse momento menos difícil para elas.

Assim, o professor ou gestor que conduz o diálogo com essas pessoas, pode começar a conversa dizendo que sabe que tem acontecido um problema pela internet e que chegou até muita gente um vídeo com ofensas às pessoas que estão ali. A partir da afirmativa dos alunos, é preciso perguntar a eles como se sentem nessa situação e ouvi-los atentamente. Ouvir suas tristezas e indignações sem fazer julgamentos. O professor pode “reconhecer” os sentimentos dos alunos, dizendo o quanto isso é triste e que imagina o quanto os alunos estão sofrendo com isso. O professor pergunta se sabem quem foi o autor/autores desse ato e pede se os alunos teriam evidências que comprovem isso.

O professor questiona aos alunos se eles têm ideia do que poderia ser feito para quer eles se sentissem melhor. Escuta as possibilidades e não permite que violências sejam as formas de resolver o problema. Explica que perguntará a quem apenas compartilhou ou recebeu os vídeos sobre o problema de ofensas na internet, mas que não falará no nome das pessoas vitimizadas e elas também não precisam se manifestar quando tratado o problema em público mesmo que todos saibam quem sejam as pessoas. Se os alunos não falarem, o professor pode questionar: vocês gostariam que esse conteúdo fosse removido? Vocês gostariam que fizéssemos uma força tarefa para remover esse conteúdo de todas as plataformas? Vocês gostariam que os autores desse problema buscassem essas soluções? Que tivessem algo a dizer nas redes para retratamento?

Além disso, nos outros dias, é preciso continuar acompanhando a situação, demonstrando apoio e suporte.

PASSO 3: Acompanhar o(s) agressor(es), pensar em reparação e formação

Sabemos que os agressores possuem menores níveis de empatia e sensibilidade, e que necessitam de formação e apoio para construírem aquela sensibilidade moral que falamos ser necessária. Portanto, não se deve fazer acusações ou julgamentos dos autores. O papel da escola nesse momento é fazer com que os autores consigam se colocar no lugar das vítimas, e refletir como eles se sentiriam caso fizessem o mesmo com eles, para em seguida realizar o processo de conscientização não apenas com os agressores, mas com toda a escola.

Quando e se descobrirmos a origem dos atos, é preciso falar com os agressores um a um, separadamente e cuidar para que não conversem entre si, antes de falarem com o professor.

Isso ajudará que eles não se “juntem” para se defender. É preciso questionar[2]:

  • Quando entra o agressor, é preciso olhá-lo nos olhos e convidá-lo a se sentar. Depois, o diálogo:

  • Eu gostaria de falar com você sobre algo que aconteceu com…. (nome da vítima). Ela está tendo problemas. Soube que… (contar o problema).

 

Outra alternativa:

◦     Eu gostaria de falar com você pois soube que está envolvido em alguns problemas com…. O que você sabe sobre isso?

◦    Você sabe o que a sua atitude causou às pessoas que foram expostas? Se fosse com você, como se sentiria?

 

E finalmente, o professor deve fazer uma última pergunta: O que podemos fazer a partir dessa conversa para resolver esse problema? O que sugere?

Anotar o que o agressor sugere para depois, com todos os agressores juntos, no final das entrevistas, então se pensar nas alternativas que têm para reparar o dano causado.

Depois de todos os agressores entrevistados, é preciso chamá-los para que possam apontar como serão as formas de reparação. Ações que não podemos abrir mão na lista de reparação:

1-    Pedido de desculpas oficial com cada pessoa envolvida.

2-    Momento para ouvir aqueles que foram vitimizados sobre como se sentiram.

3-   Acompanhar a repercussão do conteúdo exposto na internet e agir de forma a conter a propagação.

4-  Postagem nas mesmas redes sociais utilizadas de mensagens sobre o que é o cyberbullying e mensagens de apoio e encorajamento às pessoas que usam a internet a respeitarem os outros (depois de ter organizado momentos de estudos sobre isso – os alunos podem cumprir momentos de estudo e organização desse material na biblioteca em horários estabelecidos pela escola). A preparação desse material pode partir do trabalho com esse vídeo com os agressores:

“minha ação já magoou muitas pessoas, e não tem como desfazê-la. Porém, o que eu posso fazer a partir de agora?”

https://www.youtube.com/watch?v=asTti6y39xI&feature=youtu.be

 

PASSO 4 - Conscientização dos espectadores

O caso não será resolvido através de “lições de moral”. A conscientização tem como principal objetivo a prevenção, e será realmente efetiva quando trabalhada de forma contínua e sistematizada na rotina escolar. Professores, coordenadores e os demais funcionários da escola possuem papel fundamental nessa atuação, portanto devem estar preparados para trabalhar essa temática tão importante, não apenas com seus alunos, mas também com os pais e responsáveis.

É preciso que os professores se organizem de forma a garantir que todas as turmas tenham um trabalho de discussão sobre essa temática. Então, isso pode acontecer em uma aula de matemática, português, inglês.... Mas, pelo menos em uma das aulas!

Os professores podem assistir esse vídeo para depois trabalharem com os alunos: https://www.youtube.com/watch?v=_JzmuOcTAsg&feature=youtu.be

 

Uma possibilidade de ação em uma aula ou duas aulas:

Projete o vídeo com os alunos. https://youtu.be/mWQoikd72A4

  1. Discuta com eles sobre o que sentem quando assistem esse vídeo.

  2. Discuta depois sobre o que pensam sobre isso, se sabem qual é o problema que está sendo tratado.

  3. Peça aos alunos que pensem sobre suas vidas na internet – se já passaram por alguma situação assim. Pergunte se alguém quer compartilhar o que aconteceu, quando, como se sentiu, como resolveu.

  4. Discuta com os alunos por que esse é um problema e por que compartilhar torna quem o fez tão responsável.

  5. Discuta com os alunos se eles sabem que os conteúdos que postam podem ser acessados. Os alunos precisam entender a importância de zelar por sua privacidade nas redes sociais, e perceber que as publicações que eles acreditam estar postando apenas para amigos podem tomar proporções muito maiores. Para isso, assista com eles esse vídeo: https://youtu.be/GSI7tf-Z9S0

  6. Divida os alunos em pequenos grupos e peça para que pensem em maneiras que podem difundir a importância da consciência na internet e na vida real, de se manter o respeito às pessoas. Eles podem fazer cartazes, podem fazer pequenas mensagens para postar nas redes, podem organizar um momento de apresentação de vídeos sobre o problema nos intervalos.... Muitas propostas virão. Construa com eles um calendário de execução que pode e deve durar por muito tempo!

 

Existe uma campanha promovida pela SaferNet em conjunto com a UNESCO que se chama “#ÉDAMINHACONTA. Além da Central de Prevenção ao Bullying que disponibiliza recursos para difundir informações sobre o tema, a plataforma também oferece o serviço de apoio às vítimas de bullying na internet. https://new.safernet.org.br/home3

SaferNet Brasil: comunicacao@safernet.org.br

 

[1] Esse protocolo foi elaborado por alunas de Pedagogia da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara em uma disciplina optativa “A compreensão do fenômeno bullying e as estratégias de prevenção ao problema”: Nicolle Alexia Carranza Chávez; Giuliana Souza Oliveira; Helena Alcântara Pinheiro; Luana Nakasaki; Andreia Aparecida Pereira Ferreira sob orientação da professora Dra. Luciene Tognetta do GEPEM.

[2]Essas questões estão descritas no livro TOGNETTA, L.R.P.; PIKAS, A. Quando a preocupação é compartilhada: intervenções aos casos de bullying e cyberbullying. Americana: Editora Adonis. (o livro será publicado em 2020).